quinta-feira, Outubro 30, 2014

Domingo: Camarnal

Depois da realização da Clássica Livramento-Óbidos, no passado domingo, no próximo (dia 2) arranca, definitivamente, a fase de defeso/pré-temporada de 2015, que culminará com o final do ano, para alguns, durante o mês de janeiro. 

Com isto, inicia-se, de acordo com o que é habitual no calendário de actividade do grupo Pinabike, um período em que as Voltas domingueiras são, na sua esmagadora maioria, em revelo (também maioritariamente) plano. 

O objectivo é, não só a adequação às recomendações de treino nesta fase (de interregno/moderação) da época, como também para promover o colectivismo e o espírito de coesão e camaradagem (convivência) que, no miolo da temporada, é mais difícil de implementar. 

Para tal, também por «tradição», sugere-se a retemperadora paragem intermédia para beber café e, principalmente, que o núcleo do grupo (os elementos mais assíduos; e a todos os interessados) que contribuam para preservar o andamento certo, não necessariamente de passeio, mas isento de cavalgadas e frenesim, em suma, das intensidade que, creio, todos concordarão, não se coadunam com esta fase do ano desportivo.

De qualquer modo, esta recomendação/sugestão/pedido em nada belisca a filosofia que preside às voltas domingueiras do nosso grupo: não há «imposições» ou regras, cada um está livre de impor ou seguir o ritmo que quiser.


No próximo domingo, então, a pré-temporada inicia-se com a Volta do Camarnal, um percurso recente nas nossas lides.  

Crónica do Campeonato do Mundo-2014. Perdão, do Livramento-Óbidos!


A edição de 2014 da Clássica Livramento-Óbidos, organizada pelo camarada Paulo Pais, foi mais um retumbante sucesso, ao reunir várias dezenas de participantes dispostos a contribuírem para uma jornada de sã convivência e momentos de intenso (e imenso!) ciclismo, honrando a denominação simpática por que está a ficar afamada, a de Campeonato do Mundo... As condições meteorológicas desde outono primaveril – ou quase estival... – também ajudaram e foi praticamente sem aquele habitual friozinho cortante matinal que o pelotão arrancou do Livramento em direção a Torres, cumprindo a regra que faz do conceito/filosofia deste evento ser tão peculiar: o andamento «certo», sem desvarios, até à paragem em Óbidos.

De qualquer modo, há andamento certo e... andamento certo. E há que... «metê-lo». Este ano, calhou-me (voluntariamente!) a mim e ao Mário (a partir de Torres, esclareça-se) e com mais intensidade do que nas mais recentes edições. Na primeira parte do percurso, este ano, média 35,8 km/h; em 2013, 33 km/h. E acrescente-se o fator peito ao vento, que, se a memória não me trai, no ano passado, para mim foi inexistente - ou quase. Mas, como disse, a (minha) iniciativa foi voluntária e, acima de tudo, motivada pelas boas sensações de final de temporada – ainda resquícios de forma trazidos do Skyroad da Lousã. Mas não há milagres, e a boa vontade implicou naturalmente desgaste, num terreno ascendente (ainda que suave) e muito aberto ao vento. De resto, reconheço que as sensações (boas) não refletiram a pulsação média algo elevada.

De qualquer modo, repito, não estive sozinho nessa «generosa» função. Acompanhou-me o Mário, que, analisando o desempenho coletivo do regresso (e mesmo excluindo o efeito retemperador da paragem de alguns minutos devido a queda no pelotão na aproximação ao Ameal), arrisco afirmar que foi o homem do dia! Justifico-o, desde logo, ao comparar a sua prestação como a minha, uma vez que, em Óbidos, tínhamos o mesmo nível de exposição ao desgaste: no final, a partir do Turcifal, eu entrei claramente na reserva, enquanto o novo reforço da equipa Pinabike ainda teve pilhas para integrar o grupo da dianteira e liderá-lo até à derradeira rampa. Para mim, o homem da Clássica! Mais uma vez, impressionante! Uma enorme promessa para 2015, mas também uma expectativa de ver como reage ao longo de uma época desgastante.

No entanto, e perdoem-me continuar «a puxar a brasa à (nossa) sardinha», estendo a homenagem à presença massiva de elementos Pinabike, que corresponderam não só ao compromisso/dever de representar um dos grupos domingueiros de maior nomeada da nossa região, mas, acima de tudo, de gratidão e honra à camaradagem, disponibilidade e simpatia de sempre do mentor desta Clássica, o insuperável PP. A todos eles (nós), uma vénia!

Voltando à estrada, eis o rescaldo do regresso, a parte «competitiva», a partir de Óbidos, em que desde logo o andamento foi «livre», e não só após o Bombarral (também contrariamente ao que tem sucedido em pretéritas edições - cuja mudança aplaude-se, embora tenha havido algum excesso de nervosismo, e não só durante este trajeto). Assim, média de 37 km/h contra apenas 32 em 2013, com diversos elementos empenhados em puxar pelo extenso e agora muito mais alongado pelotão. Todavia, foi com a entrada no falso plano ascendente para o Outeiro da Cabeça que se «libertaram os cavalos», embora sem a selvajaria dos piores anos. Foi, de resto, muito à imagem de 2013: andamento certo, sem ataques ou esticões. E com a média idêntica: 37,5 km/h.

Ao invés, na descida rapidíssima que se segue, começaram as movimentações, que animam a toada mas, naturalmente, condenadas, sem exceção, ao insucesso. No topo seguinte, um dos mais desabrigados deste troço até Torres, o andamento elevou-se uns bons furos, e uma solicitação mais forte para fechar um espaço fez-me atingir o pulso máximo do dia (185). Mas quando a contenda parecia definitivamente lançada, ocorre uma queda no meio do pelotão, devido a um furo (rebentamento), que motivou a indispensável paragem.

No reatamento, embora com o grande grupo fracionado pela saída a conta-gotas de alguns elementos, que se meteram ao caminho durante a neutralização, os momentos mais altos estavam reservados para a parte final do trajeto, a partir de Torres, como é habitual. O primeiro topo da Variante daquela cidade foi em ritmo progressivo, não «atacado» desde o início, deixando para o topo final e ligação a Catefica as maiores intensidades. Naquele, meti o andamento mas sem grande seletividade, por dois motivos: primeiro, o Freitas pediu-me para não forçar; segundo, as pernas já não estavam boas para fazê-lo... A seguir, na passagem pelos stands, o Mário rendeu-me e teve a mesma recomendação do Freitas. A este fez bem pedir!... O mesmo já não podia ao Duarte Salvaterra ou ao elemento do Movefree (azul), atacantes, à vez, na rampa final para Catefica, a obrigarem a cerrar fileiras nas suas rodas. A mim, o esforço de fechar espaço de alguns metros acabou-me com o resto...

Na ligação ao Turcifal e à rampa final do Livramento, apenas o corte no grupo da frente, com cerca de 10 unidades (5+5), como resultado, primeiro, de um forcing longo do João Silva e, depois, de mais uma iniciativa intensa do Duarte, e definitivamente, devido a outro ataque do Movefree. Eu e o Duarte ficámos no 2.º grupo; o Freitas e o Mário no 1.º. Na rampa final queimaram-se os últimos cartuchos. Por ter ficado à distância, não sei quem ganhou a camisola de Campeão do Mundo. Mas merece-a, certamente! Será que a partir do próximo ano haverá essa «graça», que propus ao PP?! – haver um jersey arco-íris para «defender» na edição seguinte. Tinha a sua... piada!

                 

                 

quarta-feira, Outubro 22, 2014

Coróna da Clássica dos Campeões


A Clássica dos Campeões proporcionou um encerramento de temporada excelente. Permitiu reunir um pelotão respeitável, em número e protagonistas, promover a convivência na primeira fase do percurso e, após esta, viverem-se momentos de ciclismo fantásticos, ao nível dos melhores do ano!

De Loures a Vila Franca cumpriu-se o pré-estabelecido: andamento moderado para evitar «nervosismos» e eventuais cortes que impedissem que se celebrasse, com harmonia e em convívio, a última Clássica de 2014. Mais, esta toada acessível manteve-se até Alenquer. Naquele primeiro troço, sensivelmente até Vila Franca, o pelotão foi liderado principalmente pelo Rui Torpes, Ricardo Gonçalves e António Prates, e a partir daquela cidade, pela dupla inseparável, Freitas e Mário. Foi esta que levou o grande grupo até Alenquer, mas, na Variante, o Torpes passou para a frente para impos, pela primeira vez no dia, um andamento rijo, que culminou com a chegada fortíssima à rotunda do topo da Variante, causando os primeiros cortes mais «graves» no pelotão. Todavia, logo a seguir o Gonçalves parou na berma e fez-se um compasso de espera que permitiu o rápido reagrupamento.

Nessa circunstância, o Freitas e o Mário voltaram, sem hesitação, para a frente do pelotão, liderando com um ritmo muito bom (não excessivo; não leve - recomendável para manter uma toada consistente para o grande grupo) Fizeram-no até à entrada na Espinheira, onde comuniquei-lhes que os renderia na tarefa. No entanto, o Gonçalves antecipou-se e foi ele que impôs o andamento naquele «carrossel», estirando o pelotão e exigindo que se cerrassem fileiras nas rodas. No topo da Espinheira, a média total fixa-se em 32,5 km/h, a mesma que ficara estabelecida até Vila Franca.

Este foi apenas o mote para o que restava... Desde logo, na subida para o Cercal-Barriosa, as maiores intensidades da jornada, com o Torpes a abrir e o Mário a levar praticamente até ao alto, em mais um desempenho de grande nível que demonstrou que o rolador pode «surfar» também fora da sua «praia»: a planície.

Contudo, com o ritmo seletivo, a partir do topo desta curta subida, na frente ficou um grupo restrito formado pelos seguintes elementos (salvo erro ou omissão): eu, Torpes, André, João Santos, Bruno de Alverca, Pedro Pires, Tiago Branco e Carlos Santos (creio que o Gonçalves já não estava...). Mas, agora, ao contrário do que sucedera em Alenquer, não se parou mais... De tal modo, que desde ao alto desta subida até à viragem no cruzamento de Martim Joanes (N-115-1) – onde pouco depois se juntaram os Anicolor do Oeste liderados pelo camarada Paulo Pais -, a média disparou para 41 km/h, com revezamento coletivo na condução do grupo. Grande nível!

A partir daqui, e até já perto da Aldeia Grande, o trabalho passou a ser partilhado exclusivamente entre mim e o Bruno de Alverca, e desde aí fomos rendidos pela coluna do Anicolor até à entrada na subida da Ermegeira-Sarge. Os Anicolor estiveram muito bem e o andamento subiu ainda uns furos... Até ao início da subida média de 40 km/h. Nesta ascensão, 35 km/h até ao topo, com diversos ataques finais, tendo o André como um dos intervenientes. De qualquer modo, após a descida, nas rotundas de Torres, toda a gente reagrupada.

Seguiu-se para Runa, agora com o vento mais frontal, a recomendar (e a impor) moderação. De tal modo, que, nas imediações desta localidade, quando pretendia passar pela frente «vi-me» isolado, o que levou a que entrasse «nestas condições» na dura rampa à saída. Esta situação teve o condão de modificar definitivamente o «establishment», levando a que alguns elementos se lançassem, também isoladamente, na perseguição. O primeiro a chegar a mim foi o Tiago Branco, e logo a seguir o André, que passou direto, motivando o Tiago a tentar apanhar-lhe a roda. Mas não conseguiu... e foi com a minha contribuição que alcançámos o puto já a descer para a Ribaldeira, onde «parámos»... para respirar. No nosso encalço, finalmente o Torpes, com o Pedro Pires na roda, os primeiros a alcançar-nos. Pouco depois, também o Bruno de Alverca. Mas mais ninguém. Todos os restantes, ficaram definitivamente para trás. Foi, assim, uma espécie de despedida antecipada ao abnegado e coeso grupo do Anicolor, que certamente voltaremos a rever no próximo domingo, no imperdível Livramento-Óbidos (dia 26, com partida às 9h00).

Em Dois Portos, nas primeiras inclinações em direção ao Sobral decidi voltar à frente e levar até onde as pernas deixassem. No entanto, rapidamente percebi que não seria longe, ao sentir o quadríceps a prender. De qualquer modo, contrariei a dor e continuei até que à entrada da fase mais aguda da subida, quando o André mudou o andamento, e o Torpes a ser o único a seguir-lhe a roda. O Pedro ainda tentou mas ficou em posição intermédia (creio que não deveria ter insistido, aguardando por mim, e assim poderíamos cooperar). O Tiago e o Bruno estavam recuados. Os dois da frente, todavia, pareciam ter celebrado um pacto de não-agressão e (pareceu) por iniciativa do puto aliviaram o ritmo para que recolássemos – o que só aconteceu já depois do Sobral.

Na subida final para o Alqueidão, o Torpes entrou moderado mas enrijeceu progressivamente o ritmo, ao ponto de no último quilómetro voltar a ficar sozinho com o André. Sem dúvida os mais fortes. Desta vez, o Pedro deu-me a roda e, com a permissão daquele duo, conseguimos chegar em quarteto ao topo.  Após isto, tréguas! E a descida para Bucelas foi... a deslizar!

Grandíssima Clássica!         

quarta-feira, Outubro 15, 2014

Domingo: encerramento da época com Clássica dos Campeões


No próximo domingo, para encerrar a temporada de 2014 (do grupo Pinabike, porque na semana seguinte ainda há o muito especial Livramento-Óbidos do nosso grande comparsa Paulo Pais – que mais uma vez lançou um convite generalizado!), realiza-se a Clássica dos Campeões, que, mais do que as últimas cavalgadas de elevado nível esta época velocipédica, pretende-se que promova o convívio de consagração de um mais um ano recheado de desafios, animadas voltas domingueiras, emocionantes Clássicas e Granfondos carregados de fortíssimas sensações.

O percurso é idêntico ao de 2013, e apresenta-se equilibrado, com uma primeira fase longa totalmente plana, de Loures à Ota; depois um ondulado na passagem pela Espinheira até ao Vilar; a seguir uma ligação novamente mais rápida até às proximidades de Torres Vedras, interrompida pelo «topo» do Sarge; e a partir daquela cidade até Dois Portos (com a rampa de Runa até lá); e daqui em diante entram as maiores dificuldades do relevo, com as subidas para o Sobral e para o Forte de Alqueidão, antes da descida para Bucelas e o regresso a Loures.
Sugere-se que o andamento seja moderado, pelo menos, até à saída de Vila Franca. Moderado não tem de ser... em passeio! - apenas que se evitem acelerações que rompam com a «filosofia» que se pretende para esta Clássica, a de celebrar o final de temporada em convívio. Além disso, previnem-se ameaças segurança (e à multa) principalmente nos semáforos de Alverca e Alhandra.    

No total: 130 km e cerca de 1600 metros de acumulado.

HORA DE PARTIDA da BP de Loures: 8h00     
 

domingo, Outubro 12, 2014

Skyroad da Lousã

O Skyroad da Lousã-2014 teve, para mim, um sabor agridoce. Embora mais ácido do que… doce! No meio do azar (embora quem facilita com o material não se pode queixar muito…), muita felicidade por ter concluído a prova.
A história tem contornos novelescos. Logo aos 2 km, ainda o andamento acabara de se tornar “livre”, pneu rebentado (o mesmo que tinha saído do aro há uns tempos e estragado uma roda de carbono. Estupidez assumida!) com enorme estoiro no meio do pelotão, tão audível que, no final, toda a gente com que falei recordava-se! Parei e quando vi o estrago, pensei logo que era o fim… Ainda tive a esperança de que a fechar o imenso pelotão viesse um carro de apoio técnico, mas apenas a ambulância e o carro-vassoura. Este parou e o condutor informou-me que não podia levar-me para a zona da partida/meta, só a bicicleta durante todo o percurso e eu um autocarro à disposição… para “acompanhá-la”. Mau já era desistir, fazer todo o percurso num autocarro seria masoquismo puro! Por isso, “implorei” e convenci o simpático senhor a levar-me até mais perto possível daquela zona, mesmo enfrentando o ralhete dos “chefões”, como ele disse. Entrámos para o camião (eu e a bike) e fomos deixados a cerca de 100 metros da “zona”, num local a salvo dos olhares dos “chefões”.
Agradecido, saí do veículo, e desolado comecei a caminhar em direcção à “zona” a pensar como iria passar 6 horas à espera dos meus parceiros de viagem, Ricardo Afonso e Duarte Salvaterra. Principalmente, com que estado de espírito… 
Mas eis que acontece o milagre da Nossa Sra. dos Desafortunados da Lousã: aproxima-se de mim um grupo de jovens e um deles pergunta-me: «Precisa de alguma coisa, amigo?». Respondo-lhe com o ânimo de que ele seria último a poder ajudar-me. «De um pneu…». E ele atira: «Sim, arranja-se, venha ali comigo à minha loja». À minha direita, do outro lado da rua, lá estava ela. A «Biciclataria». O sentimento que me invadiu é indescritível por palavras e apenas posso referir que a partir desse momento não pensei em mais nada do que fazer a prova, custasse o que custasse.
Passados cerca de 30 minutos desde que tinha sido dada a partida, parti… eu, sozinho, por minha conta e risco, sabendo que tinha quase 170 km e mais de 4000 metros de acumulado para ultrapassar, mas muito mais motivado do que início por ter saído surpreendentemente feliz deste infortúnio.
O resto é ciclismo, uma espécie de epopeia de superação pessoal, uma das maiores que já vivi neste desporto. Fiz-me à estrada e só depois de alguns quilómetros “a solo” é que cai em mim… Contas de cabeça: tinha de fazer a gestão mais meticulosa do esforço que alguma vez já fizera. Mesmo assim, estaria a arriscar muito, quiçá demasiado. Pensamento que se atenuou quando alcancei os primeiros concorrentes (os últimos), quase todos aos pares, amena cavaqueira. Teriam decidido passar umas 10 horas desta maneira…
Quando cheguei à separação do Gran com o Mediofondo, passou-me pela ideia fazer o mais pequeno. Ainda virei na direção deste, mas 100 metros mais adiante arrependi-me. Parei (aproveitei para “aliviar peso”) e voltei a subir para o percurso grande, perante o ar perplexo dos organizadores e dos concorrentes com que me cruzei.
Desci a toda a velocidade com o mote de “a partir de agora não valer mais a pena pensar nisso”. E ao entrar na subida de Góis senti que era o início da aventura. Nas primeiras centenas de metros e, inclusive, nos 20 km de parte-pernas que se seguiram até à grande subida do Carvalhal do Sapo, inclusive durante grande parte desta, tive dificuldade em meter um ritmo certo. As pernas estavam bem, o pulso controlado mas não tinha referências. Passava por todos, ninguém ao meu andamento até ao alto das eólicas, que fiz com a cara ao vento, a passar de grupo em grupo. Nunca visto em mim. Dois ou três que me acompanharam alguns quilómetros acabavam sempre por me perguntar: “Furaste, não?!”.
E resumiu-se a esta toada quase todo o restante percurso. Até à aproximação à subida de Picha fiz tudo por minha conta, nem uma roda de abrigo. Por azar, nem a descer. Algures por aquela zona, alcancei o grupo em que seguia o Nuno Garcia, cerca de meia dúzia, mas ele o único a cooperar comigo na condução do mesmo. Ainda antes da subida, apanhámos o Armando Guedes, companheiro de longa data nestas andanças, que se juntou ao trabalho já nas vertentes de… Picha. Nesta altura, já sentia as pernas muito doridas. Alimentei-me o mais e melhor que podia para não cair no “vazio”. Às tantas apanhámos o camarada Paulo Pais, com outro ciclista. Chamei-o, e antes de o encorajar seguir-nos, afirmou peremptoriamente, ao seu estilo: «Isto é muito duro!».
Na parte final da subida, senti-me melhor e voltei para a frente, fazendo também toda a descida e toda a subida da Serra da Lousã, ficando apenas com o Guedes (que me rendeu durante o penúltimo quilómetro). Depois de “fechar” a subida, mandei-me a caminho da Lousã completamente no “vermelho” e, agora sim, com sintomas irreversíveis de desfalecimento, desligando a 5 km da meta, que cruzei com 6h19m, 35 minutos mais do que em 2013. “Descontando” os 30 minutos que perdi à partida e todos que “derreti” por ter feito quase todo o percurso à minha conta, não posso deixar de reconhecer que o pecúlio foi satisfatório. Uma jornada para recordar, pelos bons motivos, mas também pelos maus que estiveram na sua origem…

Homenagem, pelos excelentes desempenhos, ao Duarte Salvaterra, ao Ricardo Afonso, ao Nuno Garcia, e uma muito especial ao Paulo Pais, porque mais uma vez deu uma “lição” de humildade e coragem – e de profunda paixão pelo ciclismo -, com mais uma participação neste dificílimo Granfondo, enfrentando-o sem receios mesmo com uma preparação que está a anos-luz da média! E com uma prestação honrosa. Por isso, é um exemplo que respeito e aprecio, e que deve inspirar a todos!                             

quinta-feira, Outubro 09, 2014

Domingo: Sacavém-Azambuja-Ota

No próximo domingo, Volta de Sacavém-Azambuja-Ota. O percurso é o seguinte, com 113 km maioritariamente planos.