quarta-feira, Outubro 22, 2014

Coróna da Clássica dos Campeões


A Clássica dos Campeões proporcionou um encerramento de temporada excelente. Permitiu reunir um pelotão respeitável, em número e protagonistas, promover a convivência na primeira fase do percurso e, após esta, viverem-se momentos de ciclismo fantásticos, ao nível dos melhores do ano!

De Loures a Vila Franca cumpriu-se o pré-estabelecido: andamento moderado para evitar «nervosismos» e eventuais cortes que impedissem que se celebrasse, com harmonia e em convívio, a última Clássica de 2014. Mais, esta toada acessível manteve-se até Alenquer. Naquele primeiro troço, sensivelmente até Vila Franca, o pelotão foi liderado principalmente pelo Rui Torpes, Ricardo Gonçalves e António Prates, e a partir daquela cidade, pela dupla inseparável, Freitas e Mário. Foi esta que levou o grande grupo até Alenquer, mas, na Variante, o Torpes passou para a frente para impos, pela primeira vez no dia, um andamento rijo, que culminou com a chegada fortíssima à rotunda do topo da Variante, causando os primeiros cortes mais «graves» no pelotão. Todavia, logo a seguir o Gonçalves parou na berma e fez-se um compasso de espera que permitiu o rápido reagrupamento.

Nessa circunstância, o Freitas e o Mário voltaram, sem hesitação, para a frente do pelotão, liderando com um ritmo muito bom (não excessivo; não leve - recomendável para manter uma toada consistente para o grande grupo) Fizeram-no até à entrada na Espinheira, onde comuniquei-lhes que os renderia na tarefa. No entanto, o Gonçalves antecipou-se e foi ele que impôs o andamento naquele «carrossel», estirando o pelotão e exigindo que se cerrassem fileiras nas rodas. No topo da Espinheira, a média total fixa-se em 32,5 km/h, a mesma que ficara estabelecida até Vila Franca.

Este foi apenas o mote para o que restava... Desde logo, na subida para o Cercal-Barriosa, as maiores intensidades da jornada, com o Torpes a abrir e o Mário a levar praticamente até ao alto, em mais um desempenho de grande nível que demonstrou que o rolador pode «surfar» também fora da sua «praia»: a planície.

Contudo, com o ritmo seletivo, a partir do topo desta curta subida, na frente ficou um grupo restrito formado pelos seguintes elementos (salvo erro ou omissão): eu, Torpes, André, João Santos, Bruno de Alverca, Pedro Pires, Tiago Branco e Carlos Santos (creio que o Gonçalves já não estava...). Mas, agora, ao contrário do que sucedera em Alenquer, não se parou mais... De tal modo, que desde ao alto desta subida até à viragem no cruzamento de Martim Joanes (N-115-1) – onde pouco depois se juntaram os Anicolor do Oeste liderados pelo camarada Paulo Pais -, a média disparou para 41 km/h, com revezamento coletivo na condução do grupo. Grande nível!

A partir daqui, e até já perto da Aldeia Grande, o trabalho passou a ser partilhado exclusivamente entre mim e o Bruno de Alverca, e desde aí fomos rendidos pela coluna do Anicolor até à entrada na subida da Ermegeira-Sarge. Os Anicolor estiveram muito bem e o andamento subiu ainda uns furos... Até ao início da subida média de 40 km/h. Nesta ascensão, 35 km/h até ao topo, com diversos ataques finais, tendo o André como um dos intervenientes. De qualquer modo, após a descida, nas rotundas de Torres, toda a gente reagrupada.

Seguiu-se para Runa, agora com o vento mais frontal, a recomendar (e a impor) moderação. De tal modo, que, nas imediações desta localidade, quando pretendia passar pela frente «vi-me» isolado, o que levou a que entrasse «nestas condições» na dura rampa à saída. Esta situação teve o condão de modificar definitivamente o «establishment», levando a que alguns elementos se lançassem, também isoladamente, na perseguição. O primeiro a chegar a mim foi o Tiago Branco, e logo a seguir o André, que passou direto, motivando o Tiago a tentar apanhar-lhe a roda. Mas não conseguiu... e foi com a minha contribuição que alcançámos o puto já a descer para a Ribaldeira, onde «parámos»... para respirar. No nosso encalço, finalmente o Torpes, com o Pedro Pires na roda, os primeiros a alcançar-nos. Pouco depois, também o Bruno de Alverca. Mas mais ninguém. Todos os restantes, ficaram definitivamente para trás. Foi, assim, uma espécie de despedida antecipada ao abnegado e coeso grupo do Anicolor, que certamente voltaremos a rever no próximo domingo, no imperdível Livramento-Óbidos (dia 26, com partida às 9h00).

Em Dois Portos, nas primeiras inclinações em direção ao Sobral decidi voltar à frente e levar até onde as pernas deixassem. No entanto, rapidamente percebi que não seria longe, ao sentir o quadríceps a prender. De qualquer modo, contrariei a dor e continuei até que à entrada da fase mais aguda da subida, quando o André mudou o andamento, e o Torpes a ser o único a seguir-lhe a roda. O Pedro ainda tentou mas ficou em posição intermédia (creio que não deveria ter insistido, aguardando por mim, e assim poderíamos cooperar). O Tiago e o Bruno estavam recuados. Os dois da frente, todavia, pareciam ter celebrado um pacto de não-agressão e (pareceu) por iniciativa do puto aliviaram o ritmo para que recolássemos – o que só aconteceu já depois do Sobral.

Na subida final para o Alqueidão, o Torpes entrou moderado mas enrijeceu progressivamente o ritmo, ao ponto de no último quilómetro voltar a ficar sozinho com o André. Sem dúvida os mais fortes. Desta vez, o Pedro deu-me a roda e, com a permissão daquele duo, conseguimos chegar em quarteto ao topo.  Após isto, tréguas! E a descida para Bucelas foi... a deslizar!

Grandíssima Clássica!         

quarta-feira, Outubro 15, 2014

Domingo: encerramento da época com Clássica dos Campeões


No próximo domingo, para encerrar a temporada de 2014 (do grupo Pinabike, porque na semana seguinte ainda há o muito especial Livramento-Óbidos do nosso grande comparsa Paulo Pais – que mais uma vez lançou um convite generalizado!), realiza-se a Clássica dos Campeões, que, mais do que as últimas cavalgadas de elevado nível esta época velocipédica, pretende-se que promova o convívio de consagração de um mais um ano recheado de desafios, animadas voltas domingueiras, emocionantes Clássicas e Granfondos carregados de fortíssimas sensações.

O percurso é idêntico ao de 2013, e apresenta-se equilibrado, com uma primeira fase longa totalmente plana, de Loures à Ota; depois um ondulado na passagem pela Espinheira até ao Vilar; a seguir uma ligação novamente mais rápida até às proximidades de Torres Vedras, interrompida pelo «topo» do Sarge; e a partir daquela cidade até Dois Portos (com a rampa de Runa até lá); e daqui em diante entram as maiores dificuldades do relevo, com as subidas para o Sobral e para o Forte de Alqueidão, antes da descida para Bucelas e o regresso a Loures.
Sugere-se que o andamento seja moderado, pelo menos, até à saída de Vila Franca. Moderado não tem de ser... em passeio! - apenas que se evitem acelerações que rompam com a «filosofia» que se pretende para esta Clássica, a de celebrar o final de temporada em convívio. Além disso, previnem-se ameaças segurança (e à multa) principalmente nos semáforos de Alverca e Alhandra.    

No total: 130 km e cerca de 1600 metros de acumulado.

HORA DE PARTIDA da BP de Loures: 8h00     
 

domingo, Outubro 12, 2014

Skyroad da Lousã

O Skyroad da Lousã-2014 teve, para mim, um sabor agridoce. Embora mais ácido do que… doce! No meio do azar (embora quem facilita com o material não se pode queixar muito…), muita felicidade por ter concluído a prova.
A história tem contornos novelescos. Logo aos 2 km, ainda o andamento acabara de se tornar “livre”, pneu rebentado (o mesmo que tinha saído do aro há uns tempos e estragado uma roda de carbono. Estupidez assumida!) com enorme estoiro no meio do pelotão, tão audível que, no final, toda a gente com que falei recordava-se! Parei e quando vi o estrago, pensei logo que era o fim… Ainda tive a esperança de que a fechar o imenso pelotão viesse um carro de apoio técnico, mas apenas a ambulância e o carro-vassoura. Este parou e o condutor informou-me que não podia levar-me para a zona da partida/meta, só a bicicleta durante todo o percurso e eu um autocarro à disposição… para “acompanhá-la”. Mau já era desistir, fazer todo o percurso num autocarro seria masoquismo puro! Por isso, “implorei” e convenci o simpático senhor a levar-me até mais perto possível daquela zona, mesmo enfrentando o ralhete dos “chefões”, como ele disse. Entrámos para o camião (eu e a bike) e fomos deixados a cerca de 100 metros da “zona”, num local a salvo dos olhares dos “chefões”.
Agradecido, saí do veículo, e desolado comecei a caminhar em direcção à “zona” a pensar como iria passar 6 horas à espera dos meus parceiros de viagem, Ricardo Afonso e Duarte Salvaterra. Principalmente, com que estado de espírito… 
Mas eis que acontece o milagre da Nossa Sra. dos Desafortunados da Lousã: aproxima-se de mim um grupo de jovens e um deles pergunta-me: «Precisa de alguma coisa, amigo?». Respondo-lhe com o ânimo de que ele seria último a poder ajudar-me. «De um pneu…». E ele atira: «Sim, arranja-se, venha ali comigo à minha loja». À minha direita, do outro lado da rua, lá estava ela. A «Biciclataria». O sentimento que me invadiu é indescritível por palavras e apenas posso referir que a partir desse momento não pensei em mais nada do que fazer a prova, custasse o que custasse.
Passados cerca de 30 minutos desde que tinha sido dada a partida, parti… eu, sozinho, por minha conta e risco, sabendo que tinha quase 170 km e mais de 4000 metros de acumulado para ultrapassar, mas muito mais motivado do que início por ter saído surpreendentemente feliz deste infortúnio.
O resto é ciclismo, uma espécie de epopeia de superação pessoal, uma das maiores que já vivi neste desporto. Fiz-me à estrada e só depois de alguns quilómetros “a solo” é que cai em mim… Contas de cabeça: tinha de fazer a gestão mais meticulosa do esforço que alguma vez já fizera. Mesmo assim, estaria a arriscar muito, quiçá demasiado. Pensamento que se atenuou quando alcancei os primeiros concorrentes (os últimos), quase todos aos pares, amena cavaqueira. Teriam decidido passar umas 10 horas desta maneira…
Quando cheguei à separação do Gran com o Mediofondo, passou-me pela ideia fazer o mais pequeno. Ainda virei na direção deste, mas 100 metros mais adiante arrependi-me. Parei (aproveitei para “aliviar peso”) e voltei a subir para o percurso grande, perante o ar perplexo dos organizadores e dos concorrentes com que me cruzei.
Desci a toda a velocidade com o mote de “a partir de agora não valer mais a pena pensar nisso”. E ao entrar na subida de Góis senti que era o início da aventura. Nas primeiras centenas de metros e, inclusive, nos 20 km de parte-pernas que se seguiram até à grande subida do Carvalhal do Sapo, inclusive durante grande parte desta, tive dificuldade em meter um ritmo certo. As pernas estavam bem, o pulso controlado mas não tinha referências. Passava por todos, ninguém ao meu andamento até ao alto das eólicas, que fiz com a cara ao vento, a passar de grupo em grupo. Nunca visto em mim. Dois ou três que me acompanharam alguns quilómetros acabavam sempre por me perguntar: “Furaste, não?!”.
E resumiu-se a esta toada quase todo o restante percurso. Até à aproximação à subida de Picha fiz tudo por minha conta, nem uma roda de abrigo. Por azar, nem a descer. Algures por aquela zona, alcancei o grupo em que seguia o Nuno Garcia, cerca de meia dúzia, mas ele o único a cooperar comigo na condução do mesmo. Ainda antes da subida, apanhámos o Armando Guedes, companheiro de longa data nestas andanças, que se juntou ao trabalho já nas vertentes de… Picha. Nesta altura, já sentia as pernas muito doridas. Alimentei-me o mais e melhor que podia para não cair no “vazio”. Às tantas apanhámos o camarada Paulo Pais, com outro ciclista. Chamei-o, e antes de o encorajar seguir-nos, afirmou peremptoriamente, ao seu estilo: «Isto é muito duro!».
Na parte final da subida, senti-me melhor e voltei para a frente, fazendo também toda a descida e toda a subida da Serra da Lousã, ficando apenas com o Guedes (que me rendeu durante o penúltimo quilómetro). Depois de “fechar” a subida, mandei-me a caminho da Lousã completamente no “vermelho” e, agora sim, com sintomas irreversíveis de desfalecimento, desligando a 5 km da meta, que cruzei com 6h19m, 35 minutos mais do que em 2013. “Descontando” os 30 minutos que perdi à partida e todos que “derreti” por ter feito quase todo o percurso à minha conta, não posso deixar de reconhecer que o pecúlio foi satisfatório. Uma jornada para recordar, pelos bons motivos, mas também pelos maus que estiveram na sua origem…

Homenagem, pelos excelentes desempenhos, ao Duarte Salvaterra, ao Ricardo Afonso, ao Nuno Garcia, e uma muito especial ao Paulo Pais, porque mais uma vez deu uma “lição” de humildade e coragem – e de profunda paixão pelo ciclismo -, com mais uma participação neste dificílimo Granfondo, enfrentando-o sem receios mesmo com uma preparação que está a anos-luz da média! E com uma prestação honrosa. Por isso, é um exemplo que respeito e aprecio, e que deve inspirar a todos!                             

quinta-feira, Outubro 09, 2014

Domingo: Sacavém-Azambuja-Ota

No próximo domingo, Volta de Sacavém-Azambuja-Ota. O percurso é o seguinte, com 113 km maioritariamente planos.

quarta-feira, Outubro 08, 2014

Crónica do Infantado


Regressaram as voltas totalmente planas e quase por magia (ou talvez não...) o pelotão tornou-se massivo e os andamentos dispararam sem queixumes – sem espanto, está mesmo a ver-se! De qualquer modo, esta tirada do Infantado-2 teve momentos relevantes além da impressionante média de 38 km/h que se fixava na segunda passagem por Vila Franca de Xira, com 90 km percorridos. Para esta, contribuíram sobremaneira meia dúzia de elementos – não muitos mais... – de um grupo que terá saído de Loures com quase duas dezenas. Mas vamos à história.

Nesta volta com cerca de 120 km no total, os referidos 90 foram os «aproveitáveis» e que concentraram a animação, iniciada pouco depois do arranque e que, em Vila Franca, fez com que a média já alcançasse 35 km/h. Todavia, mesmo esta fase madrugadora pouco se fez em pelotão compacto. Primeiro, o Ricardo Gonçalves a isolar-se logo nos primeiros quilómetros, despoletando uma perseguição liderada pelo António Prates (montado numa «cabra»; tal como o Mário). E não se parou mais...

Movimentações diversas até que, na descida da Sagres, ocorreu um corte importante, com o pelotão a dividir-se em partes iguais, com muitos poderosos à frente, o que não era recomendável para a parte que seguia atrás, embora nesta pontificassem elementos com capacidade para fechar o espaço. Entre estes, tarefa de apenas um: o Rui Torpes. A partir de Alverca assumiu a perseguição e concretizou-a em Alhandra, após 4 km a 42 km/h. Poderia (e deveria) ter contado com ajuda mas nunca aliviou (seria o sinal para os restantes), e àquela velocidade a vontade/capacidade de rendê-lo era escassa. Prestes a concluir a missão com êxito, levava a adrenalina ao máximo e reagiu, compreensivelmente, quando alguns que vinham à sua boleia (eu incluído) fecharam os últimos 10 metros para os fugitivos. Não foi por mal...

De Vila Franca ao Porto Alto, 40 km/h de média e... mais uma fuga. O Prates deu o mote e o Mário – os dois «contrarelogistas» do dia – correspondeu, iniciando, a dois, a fuga mais duradoura da volta, que obrigou o pelotão a uma perseguição esforçada – quase sempre liderada pelo Ricardo Gonçalves, o Rui Torpes e o Duarte Salvaterra. Do Porto Alto até ao cruzamento do Campo de Tiro de Alcochete, 42,5 km/h de média! Facilidades, só para quem foi na roda... Antes deste ponto, fuga anulada. De qualquer modo, tanto o Prates como o Mário, ora voltavam a tentar isolar-se, ora colaboravam na condução do grupo: grande desempenho, que não foi só as máquinas apropriadas a justificar!

A partir daquele cruzamento, mudança de direção, agora com o vento mais desfavorável. Desde logo, a velocidade baixou. Mas foi algures neste troço até ao Infantado que sucederam os momentos mais agressivos para quem seguia na roda, e foram por iniciativa do Torpes nos topos, deixando alguns (entre eles eu) em desconforto. De qualquer modo, coube ao Gonçalves a parte esmagadora do trabalho de condução do pelotão, já mais reduzido.

Do Infantado ao Porto Alto, novamente o Mário imparável. Ataque-fuga-fim de fuga-novo ataque-fuga e assim sucessivamente. Duas ou três repetições. Excelente forma, ótimas qualidades de rolador! Setor a 38,5 km/h de média.

Na reta final até Vila Franca, então deixei-me «convencer» a passar pela frente (não o tinha feito uma única vez... e foi um descanso!), primeiro a responder a mais uma iniciativa do Mário, depois a colaborar com ele e mais dois ou três na condução do pelotão até Vila Franca. Com vento contra: 37,5 km/h e 163 de pulso durante 16 minutos. As pernas corresponderam melhor do que em qualquer volta domingueira desde o início de setembro (após o regresso após a paragem de férias). A uma semana do Skyroad, boas notícias. Finalmente! Veremos!
Em Vila Franca, paragem retemperadora de forças e a promover invulgar momento de convívio em voltas com outro relevo. Há pouco ou nada fazer para que nestas suceda o mesmo. É pena...